quinta-feira, 6 de setembro de 2007

11 de setembro

Eu falei que gostava de tirar fotos, não? Essa eu tirei há alguns anos, numa época de guerra, mas não tão de guerra assim. Semama que vem, o 11 de setembro celebra ou lamenta, dependendo do ponto de vista, seis anos. Tudo nesse mundo, costumo acreditar, é uma questão de ponto de vista.

O que vale dizer é que daqui a alguns dias algumas pessoas vão dar um pulo ali perto, naquele lugar da foto, e vão prestar homenagens a amigos e parentes que morreram no famoso atentado terrorista. Judith Gretz, uma californiana viúva, vai jogar rosas vermelhas pelo marido. Mesmo depois de seis anos, Judith vai chorar. Vai se lembrar de como ele a abraçava por trás, segurando seus ombros com as mãos invertidas e comprimindo seus seios com doçura. Vai se lembrar que ela sorria pelo afeto. E vai olhar para o lado e observar várias mulheres, homens e crianças na mesma situação.

E daí? Judith, então, vai conhecer Bernard Pauline. Ele, também viúvo, terá acendido uma vela para sua esposa. Será uma vela usada. Há cinco, quatro, três, dois e um ano. A vela ficará acesa por apenas cinco minutos e Bernard a apagará, para que ela dure quantos anos mais for necessário. Que ela dure para seu filho e netos. Que ela dure pelo tempo de sua saudade.

Mas as rosas vermelhas de Judith vão se encontrar com a chama da vela de Bernard. Judith e Bernard vão sorrir lamentos. Vão chorar, se abraçar e orar pelo morto do outro. E vão se casar. Vão ser felizes. Vão continuar jogando rosas e acendendo a mesma vela. Mas nunca viajarão de avião. Isso, eu sei, não é uma questão de ponto de vista.

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