Se você realmente se sentir foda, é isso que você tem que fazer. Vai lá, velho, vai lá e se imponha. Não vale se render às pressões da noiva. É preciso assumir o que se quer logo no início ou depois o futebol de quinta-feira vira programa proibido. Porque dois homens jogando futebol juntos pode ser muito arriscado, alguém vai dizer. Quero me casar num conversível vermelho, porra. Reafirme, grite. O casamento vai assumir novas possibilidades por conta do carro. A esposa vai gostar da atitude. As amigas vão morrer de inveja. Os amigos vão rir. A sogra vai se chocar.
Mas sogra é uma palavra muito pouco sonora para provocar qualquer preocupação. Experimente olhar para o espelho e repetir três vezes a palavra "sogra". Parece sobra, sombra, tromba. Agora afirme "conversível vermelho" no espelho. Projete a voz. Inspire, aspire, respire. Conversível vermelho.
Olhe para o espelho e se veja passeando com o conversível pelas ruas do Centro engarrafadas. Imagine o rum numa das mãos e o charuto na outra. Imagine ao lado o ônibus lotado com vários desfavorecidos babando pelo seu conversível vermelho. A satisfação, essa é a hora da satisfação. Eu estou me sentindo foda, eu quero me casar, eu preciso do conversível vermelho. Repita mais, dez, doze vezes.
Repita até sentir o vento na cara e ver o reflexo do sol no capô vermelho. Repita até a ficção assumir novos tons.
Nenhum comentário:
Postar um comentário